Gestão desastrosa no Brasil

Dilma em 14 03 2013

 
Nicias Ribeiro

 

BRASÍLIA [ ABN NEWS ] — 2015 acabou. E eis um ano que, com certeza, não deixou saudades aos brasileiros, não só por causa da corrupção avassaladora nos órgãos do governo, notadamente na Petrobras, e que, está sendo investigada pela Policia Federal, mas, principalmente, pelo retorno da inflação de dois dígitos e que atingiu quase 11%, juros elevadíssimos, desemprego em alta, dólar cotado acima de R$4.00; além dos constantes aumentos de energia, combustíveis e transporte. Tudo em decorrência da chamada “Nova Matriz Econômica”, implementada pelo governo Dilma Rousseff e que, a rigor, nada tinha de nova e nem de matriz, até porque essa politica anulou conquistas modernizadoras, levando o Brasil de volta ao passado.

Na verdade, como diz a VEJA, nunca imaginou-se o Brasil regredir tão rapidamente em tão pouco tempo. Em certos aspectos, foram cinquenta anos em cinco mas de atraso! É o caso da indústria. A produção regride continuamente, e a sua participação no Produto Interno Bruto, o PIB, desabou para 10,9% em 2015, algo não visto desde os anos 50, quando o Brasil vivia o inicio da industrialização, com a politica de substituição de importações e a instalação de fabricas de carros e de eletrodomésticos. A derrocada da indústria nos anos Dilma, continua a se aprofundar. A projeção é que em 2016 a sua fatia no PIB fique abaixo de 10%.

A indústria é um caso extremo, mas está longe de ser a única vitima do retrocesso. A atual resseção, já classificada como depressão econômica pela sua extensão e profundidade, e, para muitos, a mais severa desde a registrada entre 1981 e 1983. No que se refere ao petróleo, depois da descoberta do pré-sal, o governo resolveu reassumir o monopólio da exploração, inspirada na Lei do petróleo de 1953, editada por Getúlio Vargas no embalo da campanha “o petróleo é nosso”. Agora, graças a Operação Lava Jato e seus desdobramentos, sabe-se mais claramente o que tinham em mente.

A situação das contas públicas é trágica. Retroagiu aos anos anteriores à Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000. O governo funciona no vermelho. Registra déficits recorrentes no seu resultado primário (excluindo os gastos com os juros), algo que não ocorria desde o inicio da publicação dessas estatísticas pelo Tesouro Nacional, em 1997. O descalabro do Orçamento Federal, resultado de uma gastança além das possibilidades, mascarado pelas “Pedaladas Fiscais”, as manobras contábeis criadas pelo ex-ministro Guido Mantega, da Fazenda, levou-nos ao fundo do poço.

E assim, graças à essa gestão desastrosa da Presidente Dilma, desde 1981 os brasileiros não eram submetidos aos rigores de uma de pressão econômica profunda, como a atual. Não sofríamos com o aumento do desemprego com essa intensidade desde 2002 e, por ultimo, mas não menos crucial, há tempos não sabíamos o que era viver sob uma inflação acima de 10%.

Quem teme perder o mandato por causa das “pedaladas”, deveria mesmo estar preocupado com os efeitos das “atropeladas” da razão, do senso comum, da álgebra, da lógica e da língua portuguesa.

Hoje, graças à falta do bom senso e respeito a lógica, milhões de brasileiros estão desempregados e outros, devido a inflação, perderam o poder de compra. Com isso caiu a arrecadação de Tributos e o Tesouro não tem como cumprir com as suas obrigações, inclusive a de pagar os juros da divida pública que, aliás, ultrapassou 61% do PIB e chegou a R$2,8 trilhões e que, por sua vez, aumenta cada vez mais, em razão dos juros do Banco Central que é de 14,25% ao ano e que, em 2016, deve chegar a 15%. E essa crise deve piorar, ainda mais, quando os desempregados de 2015 deixarem de receber o seguro desemprego. Isto sem falar na queda dos Fundos Constitucionais dos Estados e dos Municípios (FPE e FPM), repassando à essas Unidades uma crise que a rigor não é delas.

Como não há recursos para investimentos, mais um ano se passou sem a conclusão da pavimentação das Rodovias Transamazônica (BR-230) e Cuiabá – Santarém (BR-163). E o pedral do Lourenço continua lá, no rio Tocantins, a espera de sua implosão, ou, como dizem os técnicos, a espera da sua derrocagem. Enquanto isso, as eclusas de Tucuruí continuam paradas, aguardando que lhe dêem serviço. Isso é que é gestão!…

[*] Nicias Ribeiro, Especialista em Energias, é Jornalista, Articulista e Engenheiro Eletrônico.