Matemática Cultural: Usando para não usar

Renato J. Costa Valladares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Renato J. Costa Valladares

RIO [ ABN NEWS ] — Caro leitor, há umas duas semanas publicamos o artigo Usando para não usar e surgiram algumas curiosidades. Achei oportuno e hoje vou dar explicações sobre o assunto.

Em um primeiro momento a ideia central é “usando para usar”. Este é um procedimento largamente usado e ultrapassa o “homo sapiens”. Embora cachorros não saibam Cálculo, quando correm na praia para pegar uma bola que o dono atirou na água, fazem uma curva estratégica que otimiza o tempo de um percurso em velocidades diferentes. Afinal, um bom cachorro sabe muito bem que parte do percurso é na areia e o restante é nadando no mar.

Os homo sapiens na universidade trabalham no mesmo problema. Gastam mais tempo mas, em compensação, obtêm informações mais exatas.

Bromélias não estudam Geometria, mas dispõem suas folhas em espirais para otimizar a luz do Sol. Homo sapiens usam espirais para uma infinidade de aplicações. Parafusos, escadas, eixos sem fim, são alguns exemplos.

O usar para não usar também não é uma exclusividade humana. Lagartixas e camaleões mudam as cores para não ser pegos por predadores. Na selava é comum um macaco apontar um felino inexistente, para que outro macaco se assuste. Neste caso há a possibilidade do assustado deixar cair a banana que estava comendo. Se tudo der certo o macaco espertalhão pega a banana no chão e come.

A Ciência em geral e, em especial, a Matemática têm a prioridade do acerto. Entretanto é não é possível ignorar o desacerto. Um humorista perderia a graça se não ‘errasse’. Por este motivo ele usa o erro. Mas ele não pode errar fora de certos limites. Para lidar com o erro é preciso conhecer muito bem o acerto.

Assim, o humorista precisa estudar, acertar e conhecer o erro. Pois somente desta forma é possível errar da forma correta. Isto não só parece uma contradição. É, efetivamente, uma contradição.

Por esse motivo quando “O Jeito Matemático de Pensar” foi escrito, a contradição se apresentou em cheio e o capítulo destinado ao tema foi denominado ‘usando para não usar’. Sem dúvida, uma contradição.

Entretanto o humor não é o único usuário do ‘usando para não usar’. Há um imenso volume de situações que recai neste recurso. Por este motivo é necessário usar coerência e ética para não confundir as coisas. Para evitar situações inadequadas que podem ser mal compreendidas.

Voltando ao humor, vemos que atores e atrizes que estão de frente com a plateia, falam e se vestem de formas características. Neste ponto vale observar que desde o início de uma apresentação cômica o frequentador sabe do que se trata. Mas assim mesmo as fantasias, as vozes, os bordões acompanham a função durante todo o tempo. Isto significa que ninguém tem dúvida que o assunto é comédia.

O leitor interessado pode entrar em contato com o autor no e-mail rjcvalladares@gmail.com ou acessar o seu perfil no Facebook