Um pouco da história política do Brasil (II)

Alacid Nunes, no governo do Pará, imprimiu a mesma dinâmica que usou na gestão de Belém e executou mais de três mil obras, segundo noticias da época.

Nicias Ribeiro

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por Nicias Ribeiro
 
BRASÍLIA [ ABN NEWS ] — No artigo “Um pouco da história política do Brasil”, publicado neste espaço em 09/09/2015, relatei os fatos ocorridos no histórico dia 31 de março de 1964, quando João Goulart (o Jango) foi para o Uruguai e deixou o País acéfalo, levando o Presidente do Congresso Nacional a declarar vago o cargo de Presidente da República e convocar o Presidente da Câmara dos Deputados para assumi-lo, na forma da Constituição.

Depois, rigorosamente como os fatos aconteceram, tratei da eleição indireta do novo Chefe da Nação pelo Congresso, sua posse e a edição dos primeiros Atos Institucionais cassando o mandato de vários políticos, inclusive os do então Prefeito de Belém – General Moura Carvalho e do seu vice, Isaac Soares, que mais tarde assinaria uma coluna em O Liberal e tornar-se-ia um dos mais festejados colunistas sociais do Pará.

Por fim, lembrei da eleição da Câmara Municipal de Belém que elegeu o então Major Alacid Nunes Prefeito, cuja gestão foi tão dinâmica e inovadora que fez surgir o jargão popular “Alacid é quem decide”, que depois transformou-se no “slogan” que o levou ao governo do Estado.

Naquele tempo eu era apenas um adolescente, metido a politico e que imaginava que o Alacid perderia a eleição, simplesmente porque o PSD, do ex-governador Magalhães Barata, havia lançado como seu opositor o Marechal Zacarias de Assunção, um ex-governador, que fez um bom governo criando inclusive a Celpa e que em sua eleição derrotou o próprio Barata. Todavia, quando foram abertas as urnas e apurados os votos, o Alacid foi eleito Governador com os votos dos chamados “Baratistas”, que, na sua maioria, não conseguiu perdoar o “inimigo” do passado. Isso marcou a minha vida e foi uma grande lição sobre a prática da politica eleitoral, quando feita com respeito e paixão.

No governo, Alacid imprimiu a mesma dinâmica que usou na gestão de Belém e executou mais de três mil obras, segundo noticias da época. Aliás, foi no seu governo que foi inteiramente reformado o Colégio Estadual “Paes de Carvalho”, o Colégio “padrão” da época, mantendo, inclusive, a estrutura arquitetônica externa daquele secular estabelecimento de ensino. E do mesmo modo o Instituto de Educação do Pará, a antiga Escola Normal.

 




 

Foi nesse tempo, também, que foi construído o atual prédio do Colégio “Visconde de Souza Franco” e centenas de outros, na Capital e no interior, o que fez da Seduc, já naquela época, a maior dentre todas as Secretarias de Estado, o que o obrigou a construir o atual prédio da Seduc, em seu segundo governo. Mas, além da reforma, ampliação e construção de novas escolas, o governador Alacid construiu também hospitais no interior, como as chamadas Unidades Mistas de Saúde de Afuá e o hospital “Marilda Nunes” de Portel, etc. etc. etc…

Terminado o seu governo, foi para a iniciativa privada e assumiu a direção da fabrica de cimento de Capanema. Quatro anos depois voltou à politica e se elegeu Deputado Federal, pela antiga Arena. Quatro anos depois voltou ao governo do Estado, desta vez eleito indiretamente.

Foi um período difícil e conturbado. O Brasil enfrentava uma enorme crise econômica, devido ao choque do petróleo. Não havia dinheiro. E o Pará padecia ainda mais, porque o Alacid não se alinhava ao grupo politico do Senador Jarbas Passarinho, amigo pessoal do Presidente João Figueiredo, fato que foi preponderante para o seu rompimento politico e o seu apoio ao candidato do PMDB ao governo do Estado, nas eleições de 1982. Sem duvida que foi uma decisão difícil. Muito difícil. E aqui registro o meu respeito e reconhecimento pela coragem para tomar àquela decisão, que, por certo, foi fundamental à vitória do candidato da oposição ao regime militar, contribuindo para a queda do próprio sistema dois anos depois.

Não há duvidas que aquela decisão de romper com o Poder Central, foi um ato de coragem. E sem ela o PMDB jamais teria chegado ao governo.

Alacid Nunes faz parte da história do Pará. Não por ter sido um grande gestor de Belém e um governador dinâmico. Mas porque foi um homem de coragem e decisão. Sofreu como poucos, calado. Não fez nenhuma declaração contra ninguém. Apenas tomou a decisão que tinha que tomar, na hora certa, em favor do Brasil, através do Pará.